O que é a cozinha ensina para as empresas sobre criação e desenvolvimento de produtos

You are currently viewing O que é a cozinha ensina para as empresas sobre criação e desenvolvimento de produtos

A cozinha é um laboratório vivo e desafia 5 perfis de pessoas constantemente a melhorar os seus cinco sentidos, a se reinventarem, a se desafiarem, a cooperarem e a inovarem para estarem sempre um passo à frente.

Dos cinco perfis de pessoas que amam a cozinha, o 1º perfil é o (a) que experimenta os pratos. Trabalho árduo este do degustador ou degustadora. Fica alí na cozinha para fazer todos os testes, dar opiniões, pesquisar, debater, provocar e ser o primeiro (a) a sentir o calafrio na coluna, subindo até a cabeça, quando a receita sai redonda.

O 2º perfil é aquele ou aquela que só vai na cozinha eventualmente quando sente fome, e come muito fora de casa. Aprecia muito a culinária. Adora a comida da mãe e chora de saudade da comida da avó. Pouco se arrisca e quando se arrisca se arrisca no básico. Um ovo mexido, um macarrão ao alho e óleo, um omelete ou até a popular tapioca, mas sem muitos malabarismos. Jamais faria um feijão ou arroz temperado. Sabe o que é bom e quando come algo bom, trinca os dentes, fecha o olhinho e pronuncia aquele huuuummmmm de satisfação.

O 3º perfil é aquele (a) que cozinha somente com receita. Precisa ter uma xícara do ingrediente um, duas colheres do ingrediente dois, qual a temperatura do forno, altura do fogo e qual tipo de panela. Quanto tempo de antecedência cada ingrediente precisa ser preparado e qual sequência de preparação. Qual o ponto que a comida deve estar, como deve ser servida e a sequência de pratos para impactar profundamente os convidados para eles perderem o rumo de casa.

O 4º perfil é aquele (a) que quando faz as receitas várias vezes, e cada vez melhores, algum fenômeno acontece em sua cabeça e no seu organismo que ele (a) começa a inovar, a se desafiar e a criar receitas próprias. Perde o medo e começa a substituir os ingredientes, mudar as panelas, testar outras formas de fazer com outros temperos, o que era cozido vira frito, o que era assado vira cozido, troca salgado por doce, amargo por picante e a alquimia começa a se formar. Muitas coisas dão erradas, mas o desafio de acertar é maior e move a energia do testa e erra, testa e erra até acertar.
Nesta fase começa a entender melhor este laboratório vivo que só cria o novo quem inova e inovar significa errar e para isto a batalha com o medo precisa ser vencida.

O 5º perfil é a pessoa que parece que nasceu dentro da cozinha. Tem um dom divino. Já veio com um chip com todas as informações armazenadas ou implantadas no DNA. Só pode ser hereditário, como diriam alguns. A pessoa recebe um download, baixa a cabeça e começa a colocar uma energia impressionante naquela atividade. Quando alguém a observa de fora, tem certeza absoluta que o malabarismo de produtos, panelas, fogo, forno, temperos, facas, tábuas, cortes e sequencias de todo o resto que está acontecendo, e que parece que não tem lógica, certamente dará errado. No final, quando o prato chega à mesa, alguns não acreditam que aquele pedaço de céu saiu daquela fábrica onde todos estavam alucinados.

É difícil explicar para quem não cozinha, que essa arte produz coisas transcendentais, que vão do mais simples ovo frito, passando por uma feijoada, por um bacalhau, massa, peixes, frangos e indo até uma comida vegana. Parece esquisito e inexplicável quando você sente o cheiro, toca nos talheres e no prato, quando sente que quer comer o prato com os olhos, quando ouve a música que combina com o momento e finalmente quando degusta a primeira colherada e é transportado para outra dimensão. Isso é arte na sua forma mais pura.

Mas independente do perfil de cada pessoa, é bom você não se enganar, a cozinha é o maior laboratório vivo que existe. Como diz a minha amiga Júlia Murça, http://www.juliamurca.com.br, a cozinha é um local que te demanda plena atenção, porque tudo tem prazo, cada projeto, que é o prato, tem prazos curtíssimos e você não pode errar. É um local que você convive com muitos riscos. Tem panela com água quente, faca passando pra tudo quanto é lado, forno ligado que pode causar queimadura de 10º grau e que requer um foco que poucas atividades demandam. Naquele momento é você e a cozinha, a cozinha e você.

Nas empresas a gente fica em busca de atividades que façam todos terem plena atenção e foco. A cozinha é uma professora. Ela te força a planejar, a escolher os melhores fornecedores que garantem o abastecimento, a inovar e criar produtos em tempo recorde, quando não tem os ingredientes certos, a experimentar os erros, a cortar, pesar e armazenar os ingredientes com antecedência e deixar tudo pronto para o prep. (diminutivo de preparação) do dia seguinte, a deixar tudo no seu devido lugar para que não atrapalhe a produção, a garantir que todos cheguem no horário para o laboratório vivo começar a funcionar para que as entregas, os pratos, sejam recebidos e produzidos pontualmente, com a qualidade esperada por aqueles que são seus clientes fiéis e que esperam salivar na entrada da porta, só de lembrar que terão todos os seus sentidos aguçados naquele dia.

A cozinha e as empresas precisam de maestros e maestrinas para apontar direções, definir atividades, prazos e responsabilidades e a ficar com um olho no gato e o outro na frigideira. Esta profusão de atividades, algumas acontecendo de forma sequencial e outras em paralelo, o ritual do tempo e do um jeito certo, dá vida ao prato. Quando você vai desconstruir este produto, o prato, que faz algumas pessoas delirarem na mesa, com dentes cerrados, olhinhos fechados e uivos silenciosos, você percebe que teve que acontecer uma infinidade de atividades, ações, envolvimentos de pessoas, preparação, testes, erros, inovação, reclamação e ousadia.

Enquanto algumas pessoas degustam seu prato em uma hora, poucos lembram que levou 10, 20, 30 ou 100 horas para aquele produto ser concebido, testado e produzido. Nas empresas também é assim e o reconhecimento do cliente te dá a certeza que de fato, você foi um maestro ou maestrina competente.

Essa experiência de qualidade, junto com o atendimento e o local, faz você voltar várias vezes para consumir o produto e a indicar para uma infinidade de pessoas. 
Pense a mesma coisa do seu produto. Você tem diferentes pessoas trabalhando na sua empresa, em tempos e movimentos diferentes, cada um com uma responsabilidade, com suas experiências, dons e habilidades. A coisa mais sensacional do mundo seria empacotar a arte que algumas pessoas têm e isto nem sempre é possível, mas documentar as atividades, as medidas, os tempos e a expectativa do produto final, é vital para que você construa algo que aguce os 5 sentidos das pessoas. Bon apetit

#inovação #planejamento #execução #gestão #estratégia #criatividade

Deixe um comentário