Empreender e cozinhar. O que os dois tem de comum?

Empreender e cozinhar. O que os dois tem de comum?

Outro dia eu tava cozinhando e bingo. Errei feio num prato que deveria ser assado e eu fiz cozido. Ficou péssimo. Algumas pessoas amaram, outras por respeito falaram que estavam ok e os mais honestos olharam pra mim me fuzilando com olhar de reprovação.

Não fiquei chateado. Só fiquei pensando de onde tirei aquele idéia de girico. Pensei com os meus botões. Não é a primeira vez que errei e nem será a última. E para me fortalecer fiquei lembrando das vezes que fiz pratos que as pessoas amaram e sempre me pedem para fazer. 

Não sou cozinheiro profissional que fica 10 a 12 horas dentro de um laboratório experimentando de tudo que existe na terra. Cozinho de 3 a 4 vezes por semana. Como temos que comer todos os dias, apesar de comer fora alguns deles, a gente não esquece a experiência dos nossos convidados, os olhares, as bocas, os comentários e isto nos faz entender rapidamente que precisamos mudar. 

Quando começamos a cozinhar os primeiros pratos dá um frio na barriga. O primeiro feijão queima, o primeiro arroz fica duro, o primeiro ovo fica torrado, o primeiro suco fica aguado, mas a gente não desiste e sabe que tudo na vida são hipóteses e precisam ser validadas. 

Eu tenho 11 irmãos e acho que de tanto ver minha mãe cozinhar entendi, mesmo sem ela me explicar, que cozinhar é uma atividade de tentativa e erro. Tem umas receitas que dão certo, tem outras que dão completamente errado. E com a prática a gente acaba desenvolvendo um jeito muito próprio de preparar as panelas, elegendo algumas como favoritas, colheres, temperos, pratos e um jeito todo especial de arrumar a mesa, que as vezes, pela pressa, não tem nada em cima. A gente come, se arruma e sai.

O que empreender tem a ver com cozinhar? Tudo a ver.

Apesar de você ter o seu cardápio com todos os pratos, tem aqueles que vendem mais, aqueles que você mais gosta de fazer e tem aqueles que você mantém no cardápio, somente porque todos os outros fazem.

Fazer bem o básico é vital para qualquer negócio. Podemos tentar e errar em várias inovações com ingredientes novos de outras regiões ou países que ninguém nunca ouviu falar e arriscar para ver se as pessoas gostam, mas consciente que pode ser um tiro n´água. Arriscar na cozinha é fundamental para acompanhar a mudança no comportamento de consumo dos nossos clientes, mas nada é tão crítico quanto fazer bem o básico.

Tem empresas que são excepcionais em inovar e não entregam o básico, que é o feijão com arroz. Demoram para servir a bebida, esquecem do cliente na mesa, o garçom / garçonete não fala seu nome para os clientes, quando a comida demora não dão satisfação e demoram para trazer a conta.

O feijão com arroz é pilar de sustentação de qualquer empresa para vender, fazer caixa e depois inovar com outros ingredientes mais sofisticados.

Como não como carne, fiquei pensando se faria uma comida vegana, natural, legumes, ovo frito. Neste momento lembrei do peixe cozido e resolvi deixar o foco no básico. Fazer um arroz com algum tempero bem básico e fazer um peixe na churrasqueira.

Me lembrei que da última vez que tentei colocar o carvão para fazer um fogo não funcionou, e esta é uma tarefa absolutamente trivial para um churrasqueiro. O que trivial para algumas empresas é um mistério para outras, pensei.

Resolvi então enfrentar a churrasqueira, coloquei o carvão, e fiquei iniciei o primeiro round do fogo. A primeira que foi o fósforo, perdi de 10 a 0. a segunda com guardanapo e azeite perdi de 3 a 0. As empresas precisam ir medindo as suas iniciativas, porque é mais comum dar errado do que dar certo. O que é importante é ir melhorando a cada iniciativa. Depois de 20 minutos e percebendo que eu não tinha o ferramental adequado para fazer o fogo, como aqueles acendedor que vendem no supermercado que acende qualquer fogo em segundos, eu resolvi apelar usar um aliado barra-pesada, o álcool. Fogueira resolvida e prato pronto, tivemos um almoço dos deuses.

A reflexão desta inovação do peixe cozido é que nunca mais vou fazê-lo do jeito que fiz, nunca vou parar de inovar porque é isto que nos move, e finalmente, fazer o feijão com arroz é a coisa mais importante para qualquer cozinheiro e qualquer empresa.

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